segunda-feira, 9 de maio de 2011

11 de Setembro de 2010

  Hoje é sexta feira, o último dia de férias antes do doloroso regresso às aulas, depois só me resta o fim de semana.
  Não quero iniciar uma nova história, um novo capítulo numa nova escola sem que ela esteja presente para me ver.
  Estou fraca, desfalecida, cansada, triste e horrorizada com esta história, gostava de me mudar para outro mundo, sem dor, isolar-me de tudo, mas ao mesmo tempo não quero afastar-me do Jorge e, principalmente, não quero deixar a minha mãe, nem, apesar de tudo, o meu pai, porque neste momento eles precisam mais de mim do que alguma vez precisaram. Não quero suportar esta incansável luta contra a morte que vejo nos olhos dela todos os dias, cada dia mais fraca, cada dia mais distante.
  Falo-lhe, não me responde, digo que vai correr tudo bem quando sei que não vai, como pode ela acreditar nas minhas palavras quando nem eu própria acredito ?
  Os médicos disseram que a recuperação é impossível, o acidente foi muito grave, o corpo encontra-se irremediavelmente ferido, não quero acreditar.
  Sim, o acidente foi feio, a mota ficou despedaçada e com ela também o corpo dela.
  Fica comigo, corre comigo mais uma vez quando fazias quando era pequena, quando me agarravas na mão e me levavas contigo para um mundo nosso, que só nós conhecemos. Agarra-me outra vez ao colo e deita-me ao teu lado. Conta-me uma história para eu adormecer. Adormece comigo e acorda com os meus beijinhos doces na tua face, aqueles que só a ti sei dar. Não adormeças para sempre, volta a acordar comigo mana.
  Amanhã tenho a festa de aniversário do Jorge, não quero ir, não estou com disposição, vou ser uma péssima companhia para todos.
  Quero morrer. Não é suposto uma criança de 15 anos passar por isto. Vamos lutar juntas por ti. Fica comigo.

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